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Como funciona o culto ao Orixá Oxumarê na Umbanda?

há 14 horas
3 min de leitura

*Como funciona o culto ao Orixá Oxumarê na Umbanda?*


Sintetizar o culto ao Orixá Oxumarê na Umbanda é uma tarefa bastante complexa. Isso acontece porque a Umbanda é uma religião plural, construída a partir de diferentes matrizes culturais e religiosas, que se manifestam de maneiras próprias na formação de cada tradição Suas raízes envolvem elementos de tradições indígenas, africanas e do cristianismo, entre outras influências que contribuíram para a construção de sua identidade. Essas matrizes possuem histórias, fundamentos e estruturas próprias, que nem sempre se organizam da mesma maneira dentro da prática umbandista.


Por essa razão, cada terreiro desenvolve sua ritualística de acordo com os fundamentos que orientam sua comunidade, os ensinamentos de sua linhagem e a compreensão transmitida por sua espiritualidade. Essas diferenças deram origem a diversas escolas e formas de praticar a Umbanda, cada uma com suas particularidades, conhecimentos e fundamentos. Não existe uma única maneira de vivenciar todos os aspectos da religião. A caridade, o amor, a evolução espiritual e o compromisso com o próximo são valores fundamentais para muitas tradições umbandistas, mas isso não significa que todas compartilhem exatamente os mesmos ritos, conceitos ou interpretações sobre os Orixás.


Por isso, conhecer uma prática diferente da nossa não significa que ela esteja necessariamente errada. Significa, antes de tudo, reconhecer que a Umbanda é diversa e que uma experiência religiosa particular não deve ser transformada em regra universal.


E onde entra Oxumarê nessa história?


Oxumarê ainda é um Orixá pouco conhecido e, em muitos espaços umbandistas, sua presença no culto aos Orixás foi incorporada de maneira mais recente. Isso está relacionado a diferentes fatores, entre eles a circulação limitada de determinados conhecimentos, a transmissão predominantemente oral de muitos fundamentos e o preconceito histórico contra elementos das tradições africanas. É importante lembrar que a Umbanda se desenvolveu em um contexto de profundas desigualdades sociais, no qual o acesso à educação e à produção de conhecimento religioso também era limitado. Durante muito tempo, determinados fundamentos foram preservados principalmente pela oralidade, pela vivência nos terreiros e pela transmissão entre gerações.


Na Casa de Mãe Iemanjá (CMI), Oxumarê é compreendido e cultuado como filho de Nanã, associado aos ciclos, às transformações e ao movimento contínuo da existência. Em nossa compreensão, também exerce um importante papel na comunicação entre o Orun e o Aiê, representando a conexão entre diferentes dimensões da existência. Oxumarê nos ensina que nada permanece exatamente igual para sempre. A seca dá lugar à chuva, a escassez pode se transformar em fartura, os ciclos se encerram para que outros possam começar. Sua força está no movimento, na renovação e na capacidade de transformar a realidade. Na natureza, essa compreensão se manifesta na alternância dos ciclos, na água que circula, na chuva que renova a terra e na continuidade da vida. Oxumarê representa a compreensão de que a existência não é estática: tudo se transforma, tudo se movimenta e tudo participa de um processo contínuo de evolução.


Em nossa casa, sua principal oferenda ritualística é uma serpente preparada à base de batata-doce, acompanhada de uma variedade de frutas. Essa composição faz parte dos fundamentos que adotamos e da maneira particular como expressamos nossa devoção ao Orixá. Embora Oxumarê carregue simbolismos de dualidade e transformação, em nossa tradição ele é compreendido como um Orixá masculino e andrógino, cuja força também está relacionada à sorte, à prosperidade e aos caminhos de seus filhos.


Para aprofundar esse conhecimento, recorremos especialmente aos Itans, narrativas da tradição iorubá que preservam histórias, ensinamentos e aspectos fundamentais dos Orixás. Por meio dessas narrativas, conseguimos compreender melhor seus atributos, suas relações e os ensinamentos que atravessam sua existência.


E quando falamos dos filhos de Oxumarê, encontramos pessoas cuja essência, dentro da leitura de nossa casa, dialoga com a própria natureza desse Orixá: a transformação constante, a capacidade de adaptação e o desejo permanente de evolução.


Ser de Oxumarê é compreender que mudar não significa perder a própria essência. É reconhecer que existem momentos de recolhimento e momentos de expansão, tempos de chuva e tempos de sol. É aprender que a vida exige movimento e que, muitas vezes, aquilo que parece ser o fim de um ciclo é apenas o começo de uma nova possibilidade. Conhecer Oxumarê é aprender que a transformação não é uma exceção na vida: ela é parte da própria existência.


E você, já conhecia a forma como Oxumarê é cultuado na nossa casa? Conhece alguma história ou ensinamento sobre esse Orixá que gostaria de compartilhar?


Vamos conversar, trocar conhecimentos e fortalecer nossa cultura religiosa por meio do respeito às diferentes formas de vivenciar a Umbanda.

 
 
 

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