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Umbana em diálogo: a diversidade que constrói

  • Foto do escritor: Ya d'Iemanjá
    Ya d'Iemanjá
  • 20 de nov.
  • 2 min de leitura

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A Umbanda, expressão genuinamente brasileira de fé e resistência, nasce do encontro de diferentes tradições espirituais e culturais. Oficialmente não há uma data única para o seu surgimento, mas registros e relatos indicam que ela se formou gradualmente em várias regiões do país, como resposta a uma necessidade espiritual e social de um povo que vivia as contradições do Brasil pós-colonial e pós-abolição.


Pesquisas antropológicas e históricas indicam que práticas semelhantes à Umbanda já existiam em diferentes regiões do país antes desse marco, sobretudo em terreiros que combinavam elementos do Candomblé, do Espiritismo e do Catolicismo popular.


A prática umbandista tem por base uma conduta sincrética, associando as diversas culturas que foram originárias da sociedade brasileiras por meio de uma religiosidade inclusiva, caridosa e profundamente humana. É correto afirmar que este sistema de crenças proporcionou voz aos marginalizados e deu a cada persona que compõe o Brasil, seu local de destaque e um reconhecimento ancestral sobre a sua importância.


Apesar de ser amplamente conhecida, a história da Umbanda ainda é frequentemente apresentada de forma limitada, reduzida ao episódio de 1908 e à figura de Zélio Fernandino de Moraes. Essa narrativa, embora significativa para uma das vertentes da religião, não contempla a totalidade de suas origens e manifestações.


Assim, a Umbanda deve ser compreendida como um fenômeno coletivo e plural, construído por diversos grupos e comunidades, cada um contribuindo com elementos culturais, rituais e simbólicos específicos. Em vez de um ponto de partida único, trata-se de uma construção em rede, resultado de séculos de resistência, sincretismo e criatividade espiritual das populações negras, indígenas e mestiças do Brasil.


Ao longo do tempo, a Umbanda se consolidou não apenas como culto, mas como um prática religiosa de linguagem viva em constante evolução. Pesquisadores e autores como Lísias Nogueira Negrão (1996), Reginaldo Prandi (2001) e Leandro Durazzo (2019) destacam que o desenvolvimento da Umbanda ultrapassa o campo oral, ganhando registros que revelam a riqueza de suas práticas regionais e a pluralidade de suas interpretações. Sem um livro sagrado ou dogmas fixos, a Umbanda se fundamenta na prática do amor e da caridade, permitindo que cada casa, cada terreiro e cada dirigente traduza o sagrado a partir de sua vivência, sua ancestralidade e sua comunidade.


A oficialização do Dia Nacional da Umbanda, em 15 de novembro, data simbólica, pela Lei nº 12.644/2012 sancionada pela então presidente Dilma Rousseff em 2012, representa um marco de reconhecimento e valorização da religião no cenário nacional. No entanto, é fundamental compreender que a Umbanda vai além da vertente sudestina que muitas vezes predomina nas representações públicas. A força da Umbanda está justamente na sua diversidade, na capacidade de refletir a pluralidade do povo brasileiro e de integrar as diferenças regionais, étnicas e culturais que formam a identidade espiritual do país.


Fonte: Ya Tadi d' Iemanjá e Milena Dantas

 
 
 

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